O Jeitinho Brasileiro
- Jonathan Tribess
- 29 de mar. de 2017
- 4 min de leitura

O texto de hoje não tem ligação direta com algum assunto ou tema da psicologia, na realidade a minha motivação para escrevê-lo veio após um ocorrido que ouve comigo essa semana. Como é de conhecimento de grande parte das pessoas, o brasileiro é famoso pelo seu "jeitinho" de lidar com as situações mais adversas que possam surgir no seu dia-a-dia (desde pequenos "concertos" realizados a base de "meios alternativos", por assim dizer, no lugar usar a ferramenta certa ou de chamar alguém especializado para fazê-lo, até grandes falcatruas feitas dentro de brechas nas leis e por aí vai).
Esta grande criatividade que nós brasileiros temos é algo inclusive visto por alguns países como sendo um diferencial muito valioso, pois não nos permitimos a derrota diante de um obstáculo,mas buscamos meios de poder contorná-lo ou transpassá-lo. A questão é que estamos tão acostumados a dar um jeitinho, que acabamos esquecendo que existe o modo certo de fazer as coisas, e então fazemos do modo alternativo o nosso padrão.
Disse antes que o motivo deste texto era algo pessoal, pois bem, sem citar nomes de pessoas ou órgãos envolvidos, vou tentar descrever o que ocorreu. Além de meus serviços como psicólogo tenho hobbies (assim como qualquer outra pessoa), um deles é tocar em uma banda com alguns colegas, tocamos músicas de outros artistas. Nossa banda é ligada a uma ONG e realizamos apresentações sem cobrar nada, apenas pelo prazer de tocar e com isso levar descontração e cultura para as pessoas. Ocorre que estávamos para participar de um evento, porém a organização deste nos enviou e solicitou que preenchêssemos e assinássemos uma declaração, onde dizia que as músicas que iam ser apresentadas no evento eram de nossa autoria e que não tínhamos nenhuma ligação sindical ou algo que pudesse levar a cobranças de taxas pela apresentação. No que diz respeito a ligação sindical ou taxas estava ok, realmente nossa única ligação era com a ONG que representamos, porém a parte que fala sobre a autoria das música não era verdadeira. Por este motivo entramos em contato com a organização do evento e informamos que não havia como assinar tal declaração, porque ela não seria verdadeira, ocorre que nos informaram que sem esta assinatura não poderíamos tocar, apesar de argumentarmos e de todas as formas tentarmos negociar algum outro meio ou declaração, a única resposta que tivemos foi "não se preocupem, podem assinar, é somente por burocracia e ninguém irá fiscalizar, só precisamos desta declaração para conseguir o alvará do evento junto a prefeitura". Ou seja era só um jeitinho de conseguir o alvará para o evento.
Acabou que mantivemos nossa posição de não assinar tal declaração e por este motivo não vamos mais participar do evento.
Onde quero chegar com tal texto? Como já disse anteriormente, o brasileiro se acostumou em "dar um jeitinho" e não ir atrás do modo certo de fazer as coisas, "é somente por burocracia e ninguém irá fiscalizar", como se fazer o certo só fosse necessário quando houver fiscalização, é como o motorista que só reduz a velocidade quando irá passar em um radar, ou um estudante que só faz a atividade proposta pelo professor quando esta vai "valer nota", ou ainda quando estamos passando por dificuldades e no lugar de procurar ajuda profissional nos auto medicamos, no lugar de educar os filhos os entregamos à babas e/ou creches (sei que muitos necessitam da creche, pois trabalham e por tanto o seu filho precisa de um lugar para ficar e é por isto elas foram criadas, mas há muitos que pensam que ter um filho é somente por a criança no mundo e esquecem que educação vem de casa, afinal é mais cômodo reclamar que os outros não souberam ensinar o "meu filho" do que assumir que não esteve presente na criação/educação deste). Os exemplos são os mais diversos, mas o pensamento que há por trás deles é basicamente o mesmo (dar um jeitinho).
Certa vez ouvi uma frase que ao meu ver cabe muito bem: O certo continua sendo certo, mesmo que ninguém o faça. É bom ser criativo e conseguir achar meios/formas de as coisas acontecerem ou serem feitas, porém devemos cuidar para não ficarmos enraizamos em buscar sempre um modo alternativo, mais rápido, menos custoso, se for assim logo logo estaremos vivendo em uma barbárie, onde nada é certo, nada é conquistado por direito ou por esforço, tudo é medido pelo seu nível de malandragem, o quão bom você é em DAR UM JEITINHO.
Para finalizar, não espere que o outro faça certo para então você fazer certo, não busque justificativa no outro. Simplesmente o faça por ser o que deve ser feito, mesmo que possa custar algo, no nosso caso custou nossa apresentação, mas pelo menos estamos tranquilos pois fizemos o que deveria de ser feito. Somos perfeitos? Não, mas não usamos os erros dos outros, ou o fato de já termos errado alguma vez, para justificar nossas atitudes.
Gostou deste texto, tem alguma dúvida ou crítica?
Por favor deixe seu comentário, ele é muito importante para mim!
________________________________________________
Minha redes socias:
- Email: tribess.psi@gmail.com - Whatsapp: 47 99165-2642
Comentários